Legislação

Reforma Tributária e Imóveis: o que muda para proprietários

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Equipe Trato

Conteúdo editorial

10 min de leitura

A Reforma Tributária é a maior transformação no sistema de impostos do Brasil em décadas. Com a aprovação da Emenda Constitucional 132/2023 e a regulamentação pela Lei Complementar 214/2025, o mercado imobiliário sofre mudanças significativas, especialmente no aluguel de imóveis. Entenda o que muda, quando entra em vigor e como se preparar.

O que é a LC 214/2025

A Lei Complementar 214/2025 regulamenta a Reforma Tributária aprovada pela EC 132/2023. Ela substitui cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, estadual/municipal) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal). Juntos, formam o IVA Dual brasileiro.

Para o mercado imobiliário, a grande novidade é que operações com imóveis passam a ser tributadas pelo IBS/CBS, incluindo locações, que antes eram isentas de ICMS e ISS na maioria dos casos.

IBS/CBS sobre locações: quem paga

A tributação sobre locação de imóveis não atinge todos os proprietários. A regra é:

  • Pessoas físicas com até 3 imóveis e renda bruta de aluguel até R$ 240 mil/ano permanecem isentas.
  • Pessoas físicas com mais de 3 imóveis ou renda bruta acima de R$ 240 mil/ano passam a ser contribuintes do IBS/CBS.
  • Pessoas jurídicas (empresas, fundos, holdings) são sempre contribuintes, independentemente da quantidade de imóveis.
Atenção, proprietários
Se você tem 4 ou mais imóveis alugados, mesmo como pessoa física, será necessário se adaptar ao novo regime. Considere consultar um contador para avaliar o impacto e as estratégias disponíveis.

Alíquotas: residencial vs. temporada

A Reforma Tributária trata de forma diferente o aluguel residencial de longa duração e o aluguel de temporada (short-stay). As alíquotas estimadas são:

Tipo de locaçãoRedutor de alíquotaAlíquota efetiva estimada
Residencial (longa duração)70%~8,1%
Temporada / Short-stay40%~16,2%
Comercial40%~16,2%

O redutor de 70% para locação residencial é uma vitória do setor. Sem ele, a alíquota cheia seria de aproximadamente 27%, o que tornaria o aluguel residencial inviável. Ainda assim, os 8,1% representam um custo novo para quem hoje não paga tributo sobre a receita de aluguel.

Redutor social de R$ 600/mês

A lei prevê um redutor social de R$ 600 por mês na base de cálculo da locação residencial. Isso significa que, antes de aplicar a alíquota, subtrai-se R$ 600 do valor do aluguel mensal. Para aluguéis de até R$ 600, a tributação efetiva é zero.

O redutor social beneficia especialmente imóveis populares. Um aluguel de R$ 1.200 teria base de cálculo de R$ 600, gerando um imposto de apenas R$ 48,60 (8,1% de R$ 600).

Cronograma 2025-2033

A transição é gradual, com período de testes e implementação escalonada:

PeríodoEvento
2025Regulamentação aprovada; início da adaptação dos sistemas
2026Início da CBS com alíquota-teste de 0,9%
2027Início do IBS com alíquota-teste de 0,1%
2027-2028Coexistência dos tributos antigos e novos
2029-2032Redução gradual de PIS/Cofins/IPI/ICMS/ISS e aumento do IBS/CBS
2033Extinção completa dos tributos antigos; IBS/CBS em alíquota plena

Estratégias legais

Com a transição gradual, há tempo para se planejar. Algumas estratégias legais incluem:

  • Manter até 3 imóveis como PF: se possível, evite ultrapassar o limite de 3 imóveis ou R$ 240 mil/ano para permanecer isento.
  • Avaliar holding patrimonial: para carteiras grandes, a estruturação via pessoa jurídica pode permitir aproveitamento de créditos de IBS/CBS.
  • Repassar o custo gradualmente: como a transição dura até 2033, é possível ajustar os valores de aluguel aos poucos.
  • Priorizar locação residencial: a alíquota reduzida (8,1%) torna o residencial mais vantajoso que temporada (16,2%) do ponto de vista tributário.
  • Documentar todas as despesas: no regime IBS/CBS, despesas com manutenção e reformas geram créditos fiscais.
Prepare-se com antecedência
A Trato já está se preparando para ajudar proprietários na transição. Nossos contratos digitais e relatórios financeiros facilitam a documentação necessária para o novo regime tributário.

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